O impensável aconteceu no balneário do FéF, um dos mais proeminentes clubes do futebol portugues. Marinheiro, avançado português que já representou o Golfinhos da Caparica, foi selvaticamente agredido pelos próprios colegas de equipa após um treino. O atleta relatou em detalhe tudo o que sucedeu.
«O treino de conjunto estava mesmo a acabar. Tinha a bola nos pés e passei a um colega que estava desmarcado, foi golo, fui à beira dele e dei-lhe duas palmadinhas no rabo a felicitar. A partir daí, foi a confusão total», relata ainda traumatizado com o sucedido. «Ele veio discutir comigo, aos berros, encostou-me a cabeça à cara e tentou-me acertar alguns socos. Defendi-me e o treino acabou». Mas o pior, segundo Marinheiro, estava para vir.
«Juntaram-se, só os jogadores feios, com equipamento pouco fashion, à minha espera no balneário e quando eu entrei fecharam a porta. Vieram todos para cima de mim, com socos, pontapés, tudo. Não pude fazer nada. Encolhi-me e tentei defender-me o melhor possível». Apesar da barbárie, Marinheiro não teve ferimentos graves, ficando «apenas» com nódoas negras e o corpo dorido.
Após o relato cru das agressões, importava perceber o enquadramento do sucedido. Marinheiro ressalva que o treinador Luís Campos (ex-jogador e técnico dos Fatigados) e os seus adjuntos estavam presentes e se limitaram a olhar para as nuvens a assobiar. Depois, acrescenta que outros jogadores do plantel já tinham passado por problemas, mas nunca tão graves.
«Não sei explicar o porquê de tudo isto. Sei é que os jogadores que assumem a sua sexualidade abertamente têm alguns problemas. Talvez se possa falar em xenofobia», desabafa o atleta português que, no dia seguinte às brutais agressões se apresentou para treinar. Como se nada tivesse passado.
«Fui treinar. Ninguém falou comigo, eu não falei com ninguém, mas fui. O meu contrato acaba agora e vou ter que aguentar, se a direcção não fizer nada. Depois, quero prosseguir a carreira noutro lado, num país diferente, em que valorizem a marinha».


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